A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou força nas manifestações de 7 de Setembro e passou a ser utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) como uma das principais bandeiras para tentar fortalecer sua candidatura à Presidência da República.
Durante o ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, manifestantes fizeram críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Os gritos de “Fora, Lula” e “Fora, Moraes” estiveram entre os principais registrados durante a manifestação.
Flávio Bolsonaro aproveitou o palanque para endurecer o discurso contra o Supremo e defender mudanças no funcionamento da Corte. O senador também afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende indicar novos ministros para o STF ao longo de seu mandato.
A estratégia ocorre em um momento de disputa acirrada pelo eleitorado de direita e de tentativa de Flávio de consolidar seu nome como principal representante do bolsonarismo na eleição presidencial de 2026.
Crise institucional vira combustível eleitoral
O embate envolvendo Alexandre de Moraes ganhou novos capítulos após a divulgação de informações relacionadas ao Banco Master e a mensagens atribuídas ao ministro. O episódio provocou novas discussões sobre a atuação do Supremo e foi rapidamente incorporado ao discurso de setores da oposição.
Para Flávio Bolsonaro, a situação representa uma oportunidade de mobilizar novamente a base bolsonarista e transformar a insatisfação de parte do eleitorado com o STF em apoio político.
O senador tem procurado apresentar a eleição como uma disputa não apenas entre candidatos, mas também entre diferentes visões sobre o papel das instituições, do Judiciário e do governo federal.
Aposta na força do bolsonarismo
A manifestação na Paulista também serviu para demonstrar a capacidade de mobilização do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mesmo sem poder disputar a eleição presidencial, Bolsonaro continua sendo uma das principais referências do eleitorado de direita. Flávio tenta ocupar esse espaço e herdar parte da força eleitoral construída pelo pai.
O desafio da campanha será ampliar esse apoio para além do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo.
Disputa pelo eleitor moderado
Embora ataques ao STF possam aumentar a mobilização da direita, a estratégia também apresenta riscos para Flávio Bolsonaro.
Uma campanha excessivamente concentrada no confronto com o Supremo pode fortalecer sua imagem entre os apoiadores mais fiéis, mas dificultar a aproximação com eleitores moderados e indecisos.
Esses eleitores podem ser decisivos em uma eventual disputa de segundo turno.
Lula adota estratégia diferente
Enquanto Flávio Bolsonaro participou do ato político na Avenida Paulista, Lula esteve em Brasília para as celebrações oficiais do 7 de Setembro.
O presidente adotou um discurso relacionado à soberania nacional e fez críticas aos chamados “falsos patriotas”, evitando transformar a cerimônia oficial em um confronto direto com os atos da oposição.
O contraste entre os dois eventos evidenciou a divisão política que deverá marcar a campanha eleitoral.
7 de Setembro antecipa clima da eleição
A mobilização deste 7 de Setembro mostra que a disputa presidencial de 2026 já começa a ser marcada por temas que ultrapassam a tradicional discussão sobre economia e políticas públicas.
A relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário, especialmente os conflitos envolvendo o STF, deve permanecer entre os principais assuntos da campanha.
Para Flávio Bolsonaro, transformar a insatisfação com o Supremo em votos será um dos principais desafios. A capacidade de manter a mobilização do eleitorado bolsonarista e, ao mesmo tempo, conquistar eleitores que ainda não estão definidos poderá determinar o tamanho de sua força na corrida presidencial.





